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domingo, 16 de janeiro de 2011

TEXTO: "ARITMÉTICA DA EMÍLIA"

Leia o texto abaixo:

“... e o Visconde prosseguiu:
            — Atenção! Os artistas do País da Matemática vão entrar no picadeiro. Um, dois e... três! — rematou ele, estalando no ar o chicotinho.
            Imediatamente o cobertor que servia de cortina abriu-se e um grupo de artistas da Aritmética penetrou no recinto.
            — São os Algarismos! — berrou Emília, batendo palmas e já de pé no seu tijolo, ao ver entrar na frente o 1 e, atrás dele, o 2, o 3, o 4, o 5, o 6, o 7, o 8, o 9. — Bravos! Bravos! Viva a macacada numérica!
            Os algarismos entraram vestidinhos de roupas de acrobata e perfilaram-se em ordem, com um gracioso cumprimento dirigido ao respeitável público. O Visconde então explicou:
            — Estes senhores são os célebres Algarismos Arábicos, com certeza inventados pelos tais árabes que andam montados em camelos, com um capuz branco na cabeça. A especialidade deles é serem grandes malabaristas. Pintam o sete uns com os outros, combinam-se de todos os jeitos formando Números, e são essas combinações que constituem a Aritmética.”
            “... — Olhem como os algarismos são bonitinhos... O que entrou na frente, o puxa-fila, é justamente o pai-de-todos — o Senhor 1.
            — Por que pai-de-todos? — perguntou Narizinho.
            — Porque se não fosse ele os outros não existiriam. Sem 1, por exemplo, não pode haver 2, que é 1 mais 1; nem 3 que é 1 mais 1 mais 1, e assim por diante.
            — Nesse caso, os outros algarismos são feixes de Uns! — berrou a boneca pondo as mãozinhas na cintura.
            — Está certo — concordou o Visconde. — Os algarismos são varas. O 1 é uma varinha de pé. O 2 é um feixe de duas varinhas; o 3 é um feixe de três varinhas, e assim por diante.
            Narizinho, muito atenta a tudo, notou a ausência de alguma coisa. Por fim gritou:
            — Está faltando um algarismo, Visconde! Não vejo o Zero!
            — O Zero já vem — disse o Visconde. — Ele é um freguês muito especial e o único que não é feixe de varas, ou de Uns. Sozinho não vale nada, e por isso também é conhecido como Nada. Zero ou nada. Mas se for colocado depois dum número qualquer, aumenta esse número dez vezes. Colocado depois do 1 faz 10, que é dez vezes 1. Depois de 2 faz 20, que é dez vezes 2. Depois de 5 faz 50, que é dez vezes 5, e assim por diante.
            — E depois de si mesmo? — quis saber Emília.
            — Não faz nada. Um zero depois de si mesmo dá 00, e dois zeros valem tanto como um zero, isto é, nada.
            E também se o zero for colocado antes de um número, deixa o número na mesma. Assim, 02, por exemplo, vale tanto como 2.”

                                               Aritmética da Emília, de Monteiro Lobato, Brasiliense.

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